Polémica nos meios de socorro. Liga dos Bombeiros criou "task force" de ambulâncias à margem do circuito da Proteção Civil

As ambulâncias estão pré-posicionadas no Lumiar, em Lisboa, para qualquer eventualidade. A decisão está a criar mal-estar no sistema de Proteção Civil.

Soraia Ramos - RTP /
Foto: Soraia Ramos - RTP

Há mal-estar no sistema de Proteção Civil. A Liga dos Bombeiros criou uma task force de ambulâncias pré-posicionadas no Lumiar, em Lisboa, um acto isolado, à margem do circuito da Proteção Civil que está a ser contestado por comandantes de várias partes do país.

O INEM diz que não pediu nada e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) anuncia que vai abrir uma averiguação por ausência de enquadramento legal.

A RTP apurou que INEM e ANEPC vão reunir-se de urgência na segunda-feira.
A task force é questionada por vários comandantes, o que se traduz já em grupos de bombeiros. Uma mensagem a que a RTP teve acesso mostra "profunda preocupação e incredulidade, nomeadamente por esta iniciativa ter sido preparada sem qualquer processo transparente".

"Comandantes que integram órgãos da Liga ou mantêm relações institucionais, pessoais ou funcionais com a mesma apontam um clima de receio institucional que se começa a instalar e pedem princípios claros de justiça e igualdade. Referem que a representação nacional dos bombeiros não pode funcionar na sombra", pode ler-se.

À RTP, a ANEPC admite que a criação deste reforço parece violar os princípios e os pressupostos do sistema integrado de proteção e socorro, bem como as competências da ANEPC. Diz ainda que "se afigura como um sistema paralelo, sem qualquer enquadramento legal".

Adianta à RTP que vai abrir "um processo de averiguações, que terá em consideração vários fatores, nomeadamente o facto de a operação marginalmente criada estar sob o comando de um elemento do quadro de honra, o que legalmente não é permitido".

Confrontado pela RTP, o INEM respondeu que "a Liga informou que seria criado um reforço de meios em Lisboa, que o INEM obviamente não deixará de utilizar se estiverem esgotados todos os recursos atualmente contratualizados".

A Liga já fala na possibilidade de alargar esta task force e criar outro local no Algarve.
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